sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Brasil, Gurgel BR-800 e Tata Nano

Eu ainda estou tentando encontrar qual a diferença destes dois carros, expoentes do compactação do meio de transporte, arqui rivais de 20 anos de diferença (como no ultimo filme do Rock).


Cilindradas: 792m³ / 2 cilidros (obrigado pela correção Warguest)
HP: 36cv
RPM: 5500
Cambio: 4 marchas
Tração trasseira
Peso: 645kg
Garantia: 30.000km
Velociadade Máxima: 120km/h
0-100km/h: 35segundos
Consumo médio: 13,6 km/l


Cilindradas: 792m³ / 2 cilindros
HP: 33cv
RPM: Não encontrada
Cambio: 4 marchas
Tração dianteira
Peso: Não encontrada
Velociadade Máxima: 70km/h
Consumo médio: 20 km/l

Será vendido a aprox. 5 mil reais.

Eu não seria capaz de comparar o Nano com o BR-800, pois em 1987 eu mal sabia o que era um carro, e agora em 2008 nem ao menos vislumbro a possbilidade de dirigir um Nano.

Em 1990, no Brasil, foi concedido um benefício fiscal (para facilitar o acesso da população ao carro 0km) para aqueles que produzissem carros com menos de 1000cc, que passariam a se chamar de Populares. Logo quando o benefício foi criado, apenas duas fábricas contavam com carros, de 1000cc: Gurgel com o Br-800 e supermini, e a FIAT, com o Uno Mille.

Naquele momento, estes dois carros tinham tudo para explodir, e assim aconteceu com o Uno, mas a Gurgel, implodiu e faliu. Vários fatores contribuíram pra isso: abertura econômica do país realizada pelo até então presidente Fernando Collor (e consequente entrada de concorrência mais qualificada); a recusa de empréstimos para a Gurgel por parte de diversos membros do governo (considerado por alguns, como um boicote); e nossa tendência a acreditar que o que é "gringo" é melhor, mesmo se for da Índia.

Naquele momento da história do automóvel era inimaginável um carro que fizesse 20km/l de gasolina, e nete quesito o Uno Mille ainda estava bem longe. Se a Gurgel tivesse sucedido, qual seria o cenário hoje? Talvez, tivéssemos carros mais baratos e econômicos no Brasil, e com uma outra configuração (carros ainda mais compactos que os populares). Porém, as montadoras não tem interesse em fazer carros super compactos e baratear ainda mais seus produtos, seria necessária uma grande transformação de infra-estrutura e de estratégia corporativa (pois as grandes vendas no Brasil vem dos carros populares).

O que o Nano tem a ver com isso? Bom, ele utiliza o mesmo conceito, e pelos primeiros boatos, ele é até piorado em questões de desempenho (velocidade, hp, cilindradas, etc.). A princípio ele não será vendido para todo o mundo, ficará restrito apenas à India, onde nasceu. O conceito foi relançado, agora do outro lado do mundo, e talvez a mode a pegue (você acredita nisso?).

Para Índia e China, este tipo de carro pode ser realmente interessantíssimo, para aquecer ainda mais suas economias (é o primeiro passo para o pobre largar sua bicicleta, muito comum na China, e ir atrás do seu carro).

Estes países contam com uma forma mais organizada de crescimento que o Brasil. Nós certamente instaurariamos o caos no país imaginem:

  1. As quatro principais montadoras se adaptando para o novo modelo
  2. Milhões e milhões de pessoas indo atrás de crédito
  3. Pessoas usando seus crédito para conseguir seu primeiro carro

O resultado certamente seriam: aumento abusivos de juros, trânsitos ainda mais caóticos nas principais capitais e um colapso nas companhias automotivas para se adequarem às novas demandas (infra-estrutura e recursos humanos).

Tudo isso, pode parecer um grande exagero, mas talvez o Brasil tenha perdido o ponto para o crescimento, e tudo que se faz agora é evitar mudanças e o caos.


fontes:
http://www.gurgel800.com.br/publicacoes/quatrorodas/c12/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gurgel_Supermini
http://noticias.vrum.com.br/.../template_interna_noticias.shtml
http://blog.motor21.com/motor-consumo/llega-el-coche-mas-barato-del-mundo-tata-nano-37697

8 Comentários:

Danilo Nogueira disse...

não é que você é bom nesse negócio de criar artigos e fazer uma critica!!!

boa garoto... muito interessante!


abraçooosss...

Edu Giansante disse...

ta melhorando.. hehe

carro bom era o monza... ja vinha com aerofólio, vidro "fumê", calha, barras laterais e pintura metálica de série!!! carro novo agora é tudo de plástico e tudo acessório opcional...

ainda vou trabalhar de bicicleta.. me aguarde

Homem-Baile disse...

Uma pequena correção: o Tata tem tração traseira, pois o motor também é traseiro. A VW apresentou um protótipo de minicarro com motor traseiro; será essa a tendência pro futuro?
Gostei do Tata, muito mais que do BR800. O BR800 usava um antiquado motor de fusca cortado ao meio, com refrigeração modificada para água. O carro tinha desenho e execução pobres, pontos que me parecem melhor resolvidos no Tata. A carroceria do Gurgel tinha desenho tosco, com ar de improviso, melhorado no sucessor Supermini. Mas o pior pecado do Gurgel era o preço, quase o mesmo de um Uno Mille, um carro maior, mais potente, mais confiável e mais seguro.
Abs!

Homero Carmona disse...

Concordo com o comentário acima que o Uno (mesmo odiando o carro) e o Nano são muito melhores que o BR-800 , que realmente não tinha nada de bom pra oferecer a não ser o conceito.

Quase 20 anos depois, uma empresa muito melhor resolvida e que tem total apoio de seu governo (Tata, a maior empresa da Índia) re-lança o conceito, com melhorias em quase todos os aspectos (ganho de escala, design, material, etc.), mas me frustrou saber que em desempenho ele consegue ser pior que um BR-800... como colocar 5 pessoas dentro de um carro desse?

Anônimo disse...

Não se pode comparar o BR-800 com o Nano, pois são 20 anos de tecnología... O que devemos imaginar é como seria a versão atual do BR-800, com 20 anos de desenvolvimento e lamentar a perda da oportunidade de entrar no mercado mundial de automóveis com um produto nosso.. Exatamente como os aviões da Embraer.

Homero Carmona disse...

Realmente, era uma chance de entrarmos no mercado mundial com um carro conceito na epoca.

A comparacao eh justamente essa, que mesmo o BR-800 tendo 20 anos, ainda consegue, em alguns aspectos, ter uma performance superior ao Nano.

Eu esperava um carro muito mais veloz, potente e economico que o Br-800, o que nao eh verdade no Nano.

Warguest disse...

Uma correcao sobre o BR-800

Seu motor era de 02 cilindros. Na verdade um motor de fusca 1600 cortado no meio, com carburador de Fiat 147 e adaptado pra refrigeracao a agua. Detalhe: na frente. Caixa de marcha era de Chevette, Trasmissao traseira, cardan de chevette. Possua 02 bobinas no lugar de uma. E nao tinha distribuidor. Ja usava tecnologia eletronica para centelhamento. Fazia quase 23 km por litro na cidade e 26 na estrada. Muito bom no transito (por experiencia propria) por ser pequeno. Dava tranquilamente 4 pessoas dentro dele. Mesmo com um motor pequeno, tinha força. Esse modelo da foto, ainda é o antigo. Pois a gurgel lancou um mais moderno esteticamente. Infelizmente é caro. Mas a vantagem é de fibra de vidro (nao da ferrugem). Chegava a 140 km/h (ja atolei o pe num desses). Mas por ser muito pequeno, torna-se perigoso. Quem quisesse ter mais potencia, era so botar um motor de Variant (por ser baixo). Hoje, acho que teria um desses por questao de espaco mesmo. Na garagem de carro de meio porte, dava 02 desses. O pro é que o pessoal nao da valor o foi produzido aqui.

Homero Carmona disse...

Obrigado pela correcao Warguest!

Olha, eu vou dizer que fiz 160 num golzinho e o carro já fica um perigo só, imagino 140 num Gurgel, CONCENTRACAO TOTAL!

Naquela época, talvez tenha faltado incentivo para a Gurgel. Nossos processos e taxas nunca colaboraram com a producao nacional, e a Gurgel pegou o pior momento de todos, quando abrimos nossas portas para exportacao. Talvez se a Gurgel tivesse se consolidade em 60 - 70, durante a ditadura, talvez tivesse vingado e chegado mais forte para a abertura comercial.

O conceito do carro era bom, o momento histórico, nossas taxas e nossa mentalidade que nao colaborou com a desenvolvimento do conceito. Se ainda existisse tomaria facilmente lugar de Unos e Kas em muitas garagens no Brasil, caso melhorassem os custos, obviamente.

abracos,
Homero

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